sábado, 31 de outubro de 2009

Mitos e verdades sobre Terapia de Casal


Afinal, o que é terapia de casal??? Apesar de ficar bem explícito pela nomenclatura, percebo que esse nome evoca uma série de fantasias e mitos, provando que em nossa sociedade ainda há um véu de mistério sobre esse recurso terapêutico. Pensando nisso, trago alguns esclarecimentos:

A Terapia de casal é um tipo de psicoterapia que tem como foco a dinâmica do relacionamento conjugal. Nesse processo, o olhar do psicoterapeuta não esta voltado apenas aos membros que compõem o casal, mas sim à relação que os dois estabelecem. Assim, o terapeuta de casais tem 3 pacientes: ele, ela e a relação.

Trago aqui algumas perguntas que freqüentemente me são feitas sobre esse tipo de psicoterapia:


“Vamos lavar roupa suja e fazer bate-boca na tua frente?” Esse é um temor comum em quem esta em crise conjugal e pensa em buscar ajuda, mas eu afirmo que não. A idéia é promover um novo tipo de comunicação entre o casal, buscando construir soluções novas para antigos problemas. Para isso usamos uma série de técnicas e recursos para promover uma forma de interação diferente da que o casal costuma usar. Costumo dizer que se lava muita roupa suja sim, mas em alto estilo!

“Terapia de casal funciona?” Sem dúvida alguma, funciona, mas nem sempre atende as expectativas iniciais... O compromisso da terapia é com a promoção da saúde emocional dos membros do casal e não com a manutenção ou a ruptura do casamento. O psicoterapeuta vai ajudar o casal e avaliar o que lhe será mais saudável e proveitoso, para ambas as partes.

“Quem faz terapia de casal já esta à beira da separação?” Há um mito de que terapia de casal resulta em separação, mas ele não é verdadeiro. O que pode acontecer é que, em função de desconhecimento ou preconceito, os casais só buscam terapia após vários anos de insatisfação, quando o casamento já esta muito deteriorado e não há mais vínculos a serem resgatados. Nesses casos, a terapia de casal pode converter-se em “terapia do divórcio”, o que também é proveitos, pois se separar bem é um grande desafio.

Em minha prática percebo que, em muitas situações, apesar da descrença inicial, a retomada do casamento é algo possível se ainda existe respeito e afeto. Qualquer trabalho com casais inicia numa boa avaliação do relacionamento, buscando que cada parceiro se dê a conhecer e retome a comunicação e o vínculo. Muitas vezes pequenos movimentos, motivados pela técnica certa, são capazes de iniciar uma nova história de amor, com os mesmos protagonistas.

A terapia de casal é considerada por diversos teóricos como um dos tipos de psicoterapia mais difíceis de se conduzir, tanto pela sua complexidade teórica quanto pelo prepara técnico e pessoal que o psicólogo necessita ter para lidar com as questões conjugais.. Nesse sentido, é imprescindível buscar um psicoterapeuta com especialização direta em terapia de casal, que acredite no casamento e que, de preferência, mantenha relacionamento conjugal saudável. Infelizmente, ainda existem profissionais que acreditam que fazer terapia de casal é juntar as duas partes do casal numa mesma sessão e conduzir o que aparece; ressalto para o perigo de tal situação, pois isso pode trazer vários prejuízos ao casal que tanto necessita de ajuda.

Em qualquer caso, não existem soluções mágicas. A boa terapia inicia com a escolha assertiva do profissional qualificado e o empenho do casal em buscar um funcionamento mais saudável. É um recurso que vale a pena ser usado, pois a realização afetiva na relação conjugal é indispensável para uma boa qualidade de vida, em todos os sentidos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Crise de Meia-Idade???


Nossa vida, como tudo na natureza, é feita de ciclos, cada um marcado por uma tarefa evolutiva. É assim na infância, no inicio da adolescência, na passagem da vida adulta... cada fase tem seu período crítico, seus mitos e suas verdades. Mas percebo que, de todas, a mais mítica e assustadora é a famosa “crise de meia-idade”.

Assim como a adolescência, a meia-idade é um dos períodos mais cheios de conflitos, pois é pulsante a necessidade de uma intensa reformulação da identidade. Na grande maioria das vezes, a pessoa passou os anos anteriores muito ocupada com a aquisição de papéis e aptidões: crescimento profissional, formação e administração da família, aquisição de patrimônio, colocação social, entre tantas outras tarefas do mundo moderno. A crise de meia-idade surge no meio de uma aparente calmaria... trabalho estável, filhos crescidos (e muitas vezes saindo de casa), patrimônio consolidado, muitos objetivos alcançados e, em diversos casos, uma identidade perdida no meio de tudo isso.

Para ajudar (ou complicar) a meia-idade dos pais é concomitante à adolescência dos filhos... aí são crises sobrepostas: como ajudar meu filho a descobrir quem é, ou quem quer ser, se estou atrás das mesmas respostas? Na meia idade, apesar de tantos papéis aparentemente tão estáveis, é comum não se saber mais onde anda nossa verdadeira essência: “Sou o profissional tal, o pai da fulana, marido da beltrana...” mas e embaixo de tudo isso, quem eu sou? O que eu ainda quero da vida? O que ainda tenho a conquistar?

Nessa fase, é inevitável uma reformulação em todos os níveis, mas com certeza o conjugal é o que mais precisa de atenção. Não é à toa que os maiores índices de divorcio acontecem nessa fase. Depois de tantos anos olhando para frente, cuidando dos objetivos da família, quando marido e mulher se olham nos olhos após esses longos anos, as vezes levam um susto ao encontrar um surpreendente desconhecido.

É a hora de recasar. Olhar novamente para o companheiro, procurar conhecê-lo de novo, saber de seus sonhos, seus desejos, suas expectativas frente à vida. É hora de um novo contrato de casamento, com expectativas mais reais e ganhos a curto prazo... revive-se as descobertas dos primeiros anos de casado, pena que muitas vezes sem o mesmo afeto.

Para muitos, esses anos anteriores geraram um afastamento grande, mágoas incontáveis e um muro de frustrações. Para esses, o divórcio as vezes parece o único caminho; mas não é... muitas vezes um simples confronto de expectativas, uma melhora na comunicação e um novo pacto de investir na relação são suficientes para retomar o casamento e redescobrir a cumplicidade.

Por todos esse panorama, a meia-idade é um período muito fértil para a psicoterapia, tanto individual quanto de casal. Poder conta com ajuda para se redescobrir, para re-investir no casamento ou até para poder ter forças para mudar tudo é uma atitude de cuidado e responsabilidade. Talvez essa seja a fase mais adequada para buscar a tão falada qualidade de vida e se permitir investir na felicidade.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Novo Olhar sobre a Psicologia

“Você precisa de atendimento psicológico.” ... “ Vá procurar uma terapia!”... Muitas pessoas se chocam ao ouvir tal indicação, tanto quando ela vem por meio de um profissional de saúde quanto quando é a dita por um amigo ou familiar; mas por que o espanto? O que significa, para cada um de nós, “precisar de psicoterapia”?

Talvez as respostas para essas perguntas devam ser buscadas nas representações sociais que construímos em torno da psicologia e da atuação dos psicólogos. Para isso, precisamos revisitar nossos conceitos de saúde e doença, sanidade e loucura, bem como nossas intenções de crescimento. Será que só precisamos buscar ajuda profissional quando os problemas são agudos e insustentáveis? Precisamos perder saúde física, relacionamentos importantes, para então atentar que emocionalmente já estamos doentes há tempos?

O conceito de saúde evoluiu. Hoje ele não significa apenas ausência de doença. É algo muito mais amplo, que abrange um estado de bem estar bio-psico-social. Assim, para ser considerado saudável além de saúde física é preciso estabelecer relações saudáveis, com vínculos que nos possibilitem crescer. Pensando assim, quantas pessoas realmente saudáveis você conhece?

Infelizmente os relacionamentos de um modo geral estão muito adoecidos. Famílias corroídas pela ausência de diálogo e intimidade, ambientes de trabalho adoecedores, casamentos desgastantes, amizades volúveis, mil necessidades pulsantes soterradas por expectativas frustradas... muitas vezes a cronicidade disso tudo acaba gerando uma doença que é na verdade apenas a ponta do iceberg.

Nesse sentido precisamos atuar preventivamente. Muitas vezes a indicação de procurar um psicólogo vem da evidencia de que estamos entrando num caminho de adoecimento. A psicologia esta aí para nos ajudar com uma infinidade de técnicas e recursos para melhorar nossa saúde emocional e relacional. Precisamos mudar nossa visão de que psicoterapia “ é coisa para louco”, pois a maior loucura é se negar a buscar recursos para viver melhor.

Aproveito a proximidade da comemoração do dia do psicólogo para refletir a real missão desta profissão. Somos agentes de saúde, lutamos pelo bem estar global das pessoas, estamos de olho no lado saudável, nas possibilidades de crescimento dos indivíduos, dos casais, das famílias... não tratamos doenças, tratamos pessoas! Seus dilemas, seus conflitos... suas capacidades de encontrar novas formas de tornar a vida mais rica, mais feliz. Muitas vezes é num encontro terapêutico que começamos a desata amarras que nos prendem a infelicidade.

Portanto, quando ouvir a indicação de procurar um psicólogo pense nas suas reais possibilidades de se desenvolver de formas mais saudável em todos os níveis. Buscar ajuda sempre vale a pena!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Problemas escolares: o que fazer?


Metade do ano se passou, metade do ano letivo também já se foi e para muitos pais esse é só o inicio das preocupações. A entrega dos boletins acontece e para alguns traz com ele desagradáveis noticias. Saltam aos olhos os problemas de aprendizagem, certificam-se os problemas de comportamento... os pais se perguntam: e agora, o que fazer???


É hora de agir. Ainda há tempo hábil para resgatar o ano ao invés de, mais tarde, apenas tentar remediar os estragos. O primeiro passo é identificar qual a real dificuldade e descobrir sua origem; esta pode ser uma descoberta bastante reveladora.


Pesquisas apontam que mais de 80% dos casos de dificuldades escolares são resultado de problemas emocionais. É um dado alarmante, pois mostra o adoecimento psíquico de nossas crianças. Mas será isso mesmo? Porque nossas crianças estão adoecendo? Como terapeuta de casal e família arrisco aprofundar a questão.

Acredito que na grande maioria das vezes as dificuldades escolares são apenas um sintoma que denuncia um problema familiar. A escola acaba sendo o local onde a criança expressa sua confusão e angústia, mostrando que a sua sobrecarga emocional a esta impedindo de aprender, ou de se relacionar de forma saudável.

Nesse sentido, peço atenção especial aos diagnósticos apressados. Agora “estada na moda” o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e suas promessas de controle/cura através de medicamentos. Precisamos ter cautela! Muitas vezes a desatenção ou a hiperatividade são apenas sintomas usados para expressar as dificuldades e não chegam a preencher os critérios para um transtorno neuroquímico como o TDAH.

Na grande maioria dos casos os pacientes que chegam rotulados de portadores de TDAH estão na verdade reagindo a uma conflitiva bem específica. O mais comum é apresentar sintomas como reação a uma crise conjugal dos pais; neste sentido os sintomas estão a serviço de manter os pais ocupados com os problemas do filho e, de certa forma, evitar que a crise evolua para uma separação. É um processo doloroso, no qual a criança sofre muito, pois carrega sobre seus frágeis ombros todo o peso do desajuste familiar.

Diante disso vamos olhar para nossas crianças com mais atenção. Que verdadeiro recado os boletins nos trazem? O que os sintomas vêem denunciar? Sem dúvida a melhor alternativa quando o problema escolar aparece é buscar uma boa avaliação para descartar causas físicas e cognitivas e entender o real significado dos sintomas. Em todos os casos uma psicoterapia de família ajuda muito, pois além de permitir um olhar mais global sobre o problema acaba trazendo benefícios para toda a família.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Quando o final não é feliz...



Todos desejamos encontrar um companheiro, namorar, traçar um caminho comum e tentar “ser feliz para sempre...”. Essa busca, que se inicia na adolescência, muitas vezes perdura pela vida toda, mas nem sempre tem um final feliz. Todos ficamos chocados com o número significativo de crimes passionais ocorrendo em nossa cidade (Palmeira das Missões); verdadeiras tragédias que ceifam vidas na plenitude da juventude, desgraçando famílias inteiras e nos deixando sem saber o que pensar.

Não estou aqui para fazer diagnósticos ou julgamentos, mas sim discutir a questão sem pudores, focando na disfuncionalidade dos relacionamentos afetivos. Há sinais de alerta que precisamos conhecer para proteger nossos jovens de finais tão trágicos.
Precisamos estar atentos para as “pequenas violências” que já começam a acorrer no inicio dos namoros. A submissão e renúncia da identidade são as primeiras coisas a aparecer. Vemos meninas lindas, cheias de vida e espontaneidade começarem a se apagar diante de namorados ciumentos, abrindo mão dos amigos, do convívio com a família, dos gostos pessoais... claro que uma certa dose disso ocorre em todos os relacionamentos, mas nesses casos não é algo transitório, mas sim progressivo, que acaba gerando um distanciamento cada vez maior das pessoas que poderiam questionar tal posição.

Toda relação é uma questão de encaixe. Muitas vezes, enquanto um se submete e o outro dita as regras, a relação vai “bem”... até que alguém questione. Precisamos prestar atenção em como o jovem casal se organiza nas primeiras discordâncias: é sempre o mesmo a ceder? Há lugar para o diálogo? Há ameaças de abandono? Acontecem mudanças de ambas as partes ou apenas um se molda ao outro?

Precisamos educar nossos filhos para combater qualquer sinal de violência nos relacionamentos. Discussões muito ásperas e agressões verbais já são primeiros indícios de uma personalidade agressiva. Um mínimo empurrão, segurar os braços com força, um puxão de cabelo, um mínimo tapa... enfim, toda grande agressão inicia com uma pequena. Temos que orientar a todos que NENHUM TIPO DE VIOLÊNCIA é aceitável numa relação conjugal, pois sempre é a porta de entrada para agressões maiores.

A agressão física é o sintoma que expressa a impossibilidade de se comunicar. Nesse sentido, agressor e agredido são vítimas, pois estão reféns do descontrole e da inabilidade de encontrar outras formas de se comunicar. Relações onde existe agressão física são construídas sobre os pilares de abusos e submissão gerada pelo medo. Isso acaba gerando uma dinâmica perversa, onde a vítima se envergonha e silencia, muitas vezes se julgando causadora da agressão. NADA JUSTIFICA AGRESSÃO! Se conseguirmos passar essa premissa para nossos filhos, já conseguiremos evitar muitos desfechos catastróficos.
Vamos abrir canais de diálogo, conversar com nossos filhos adolescentes e jovens adultos sobre seus relacionamentos, sua satisfação conjugal e expectativas. Precisamos desmistificar a idéia de que sapos viram príncipes, mostrando que muitas vezes as coisas que nos desagradam no início podem se tornar intoleráveis com o passar do tempo.

Claro que isso não é uma tarefa fácil. Para isso podemos contar com ajuda, buscando uma terapia de família para promover esse diálogo e reaproximar pais e filhos. Vamos investir em prevenção, usar as tragédias como motivadoras para a construção de novos caminhos rumo a finais mais felizes.

Dayani Croda Machado

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Os Desafios da Maternidade


“Ser mãe é padecer no paraíso!” Essa frase me intriga desde os tempos em que eu mau sabia o que significava “padecer” e hoje me parece a mais sublime das verdades. Apesar de batida, é uma frase que traduz muito bem as delícias, dissabores e desafios que envolvem a maternidade.

As mães padecem... os filhos não vem com manual de instrução... chegam frágeis, num momento de total fragilidade das mulheres; corpo ressentido por mudanças drásticas na gravidez, mundo emocional bombardeado por temores quanto a competência para cuidar de um bebê, medo das mudanças na relação conjugal... o cansaço da rotina com um recém nascido, as mil avós, tias, amigas dando dicas que mais atrapalha que ajudam... expectativas, expectativas, expectativas... mesmo a mais segura das mulheres padece, carece de cuidado para cuidar...

O paraíso chega... o primeiro toque... o primeiro olhar... o sentimento que nada mais importa... o prazer de ser única e insubstituível para aquele pedaçinho de gente... e depois segue nos primeiros sorrisos, primeiras gracinhas, primeiras palavras e no prazer de assistir de camarote o desabrochar de um novo ser.

Encontrar um equilíbrio neste “padecimento no paraíso” não é tarefa fácil. Tem horas que a maternidade parece uma dádiva, outras vezes, um castigo... não aceitar essa dualidade e não criar espaço para desintoxicar esses sentimentos é a porta de entrada para uma depressão pós-parto e para transtornos depressivos subseqüentes.

O papel materno é totalmente absorvente... o filho passa a ser a coisa mais importante, a prioridade absoluta... e não é esse o problema! O problema começa quando se espera que todas as gratificações e reconhecimentos que necessitamos provenham dessa relação. Aí acontece o desequilíbrio: descuidados do nosso papel de esposa, da profissão, dos amigos, deixamos de fazer coisas que nos nutrem e acabamos abrindo mão das outras facetas que constituem nossa identidade. Paradoxalmente, essa supervalorização da maternidade nos transforma em péssimas mães!

Se estamos confusas e mal nutridas, fica muito mais difícil enfrentar os percalços da primeira infância, as turbulências da adolescência e o bater de asas da vida adulta. Padecemos e gozamos do paraíso em cada fase e podemos até adoecer quando nosso ninho fica vazio...

Mães também precisam de cuidado... e a primeira pessoa cobrada é o parceiro. É aí que o casamento padece. Não é por acaso que os maiores índices de divórcio acontecem no primeiro ano de vida do bebê e quando os filhos saem de casa. São momentos de crises vitais, inevitáveis. O casal tem que se reorganizar e encontrar um novo equilíbrio, uma nova forma de relação. A terapia de casal esta aí para ajudar a não deixar que essa onda vire um tsunami.

São tantos os desafios da maternidade... Cuidar de si, cuidar do casamento e ainda cuidar dos filhos... ter em mente que tanto a falta de cuidado quanto o excesso fragiliza, impede um crescimento saudável. O maior desafio é acertar a dose e podemos/devemos buscar ajuda se nos perdemos pelo caminho. Uma maternidade saudável só é conquistada quando a mulher escondida atrás da mãe esta bem cuidada, física e emocionalmente.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

BULLYING – Um grave problema

O ano letivo começou e passada a euforia dos primeiros dias de aula os problemas escolares começam aparecer. Hoje em dia, além dos problemas individuais mais comuns (agressividade, hiperatividade, problemas cognitivos, depressão) os educadores se vêem frente a um problema mundial crescente: o Bullying.
O termo Bullying significa ameaça ou intimidação. É usado para identificar uma prática escolar que consiste em atitudes abusivas, agressivas, intencionais e repetidas, por parte de um agressor ou grupo de agressores, que perdura por um longo período de tempo. Esses comportamentos ocorrem sem motivação aparente, entre iguais (relação aluno-aluno), porém, dentro de uma realidade desigual de poder, gerando intimidação na vítima, dor, angústia e sofrimento físico e/ou emocional.
Há 3 tipos de manifestações do Bullying:
Físico: consiste em práticas como bater, roubar, danificar objetos alheios
Verbal: consiste em provocar, usar apelidos pejorativos, ameaçar, intimidar
Relacional: consiste em exclusão social, humilhação, espalhar rumores, por fim a amizades propositalmente
O Bullying tem conseqüências muito nocivas a todos os envolvidos. Tanto quem sofre o comportamento abusivo (alvos), quanto quem assiste a essa violência (testemunhas) acaba sendo gravemente afetados por ela. Não podemos esquecer que são nos anos escolares que estamos estruturando nossa personalidade, nos capacitando socialmente, e que num ambiente de humilhação e intimidação isso não ocorre saudavelmente.
As vítimas de Bullying apresentam comportamentos bem característicos: a criança tornar-se mais retraída, apresenta queda no rendimento escolar, falta de concentração, fobias, perda da vontade de ir ao recreio, tentativas de fingir estar doente para não ir à aula, além de diversos outros sintomas depressivos. Pode ocorrer da criança tornar-se agressiva ou irritadiça, como um reflexo das agressões que esta sofrendo.
A dinâmica do Bullying é complexa e segue os mesmos parâmetros de outros abusos: a vítima fica envergonhada e pode não delatar a agressão. Esse sofrimento solitário é devastador e trás graves danos a auto-estima da criança, afetando todo o seu desenvolvimento.
Toda a sociedade precisa ficar alerta e esse problema. Apelidos pejorativos, discriminação, “brincadeira” violentas, pequenas humilhações NÃO são “coisas normais de criança”! Isso se chama Bullying, trás prejuízos a todos e necessita de atenção especial. É preciso elaborar campanhas de conscientização dentro e fora da escola. Professores precisam ser preparados para lidar com isso, pais necessitam de orientação para ter diálogos com seus filhos sobre esse problema. Com certeza a interação família-escola é o melhor caminho para erradicar esses comportamentos.
Quanto a aqueles que já sofrem com o Bullying é preciso remediar os estragos. Vítimas e agressores podem precisar de ajuda psicológica especializada para superar o problema. O caminho é esse: aliar prevenção com reparação, buscando uma melhor qualidade de vida dentro da escola.